Em uma sessão ordinária marcada por questionamentos diretos e respostas contundentes, o secretário municipal de Meio Ambiente de Avaré, Judésio Borges, prestou esclarecimentos na Câmara Municipal na segunda-feira (9) sobre dois problemas que afetam diretamente a população: a grave crise no serviço de coleta de lixo e o estado de abandono do Horto Florestal. A participação do secretário revelou entraves administrativos, problemas contratuais e uma crítica aberta à gestão de funcionários públicos no município.
Colapso na Coleta: Empresa antiga “Fechou as Portas” sem transição
O ponto de maior urgência foi a interrupção do serviço de coleta, que deixou resíduos acumulados em vários bairros. Judésio Borges detalhou um processo conturbado: após a suspensão de uma licitação pelo Tribunal de Contas, a empresa então responsável pelo serviço, a empresa Suma, teria agido de “má-fé” no momento da transição.
“Infelizmente, foram inescrupulosos… No dia 7 de fevereiro, a empresa Suma simplesmente fechou as portas para Avaré”, denunciou o secretário. “Não cumpriram, foram antiéticos, não tiveram ética e não se preocuparam com o município”. A ideia é que a Suma permanecesse prestando o serviço até que a nova empresa assumisse a coleta. Porém, o secretário revelou que não houve um compromisso assinado, somente verbal.
Em caráter de emergência, a Prefeitura contratou uma nova empresa em tempo recorde. “Em questão de menos de quatro dias, nós conseguimos fazer um novo termo de referência… a empresa que ganhou o processo licitatório… ficou por R$ 9,3 milhões o novo contrato”, explicou Borges. Ele reconheceu os transtornos iniciais – com apenas dois caminhões no sábado (7) – mas pediu um prazo à população: “Eu peço aos senhores, nobres vereadores, e peço à população avareense, que nos dê o prazo de mais de três a quatro dias, para que nós mobilizemos… para que essa nova empresa cumpra”.
Horto Florestal: Secretário cita falta de funcionários
As críticas dos vereadores sobre o mato alto, pontes quebradas e lixeiras danificadas no Horto Florestal foram respondidas com um diagnóstico de falta crônica de recursos humanos. Borges foi direto ao responder a vereadora Adalgisa Ward: “A senhora tem noção de quantos funcionários tem no horto florestal? … O número de funcionários… são só dois”.
Ele ampliou a justificativa, explicando a dimensão do problema e a origem da concessão. “O horto faz 30 anos, senhores, 30 anos que não recebe uma manutenção e em 2018 nós assumimos o horto florestal, porque o Estado de São Paulo não tinha condições de cuidar”. Sobre recursos, foi taxativo: “O horto não recebe recursos nem do federal nem do estadual. Nenhum”.
O secretário também rebateu críticas lembrando uma ação judicial de sua pasta para proteger a área. “Eu fiz uma defesa do horto florestal, entrei com uma liminar, ganhamos a liminar… para que não corte as árvores… que era para ter sido cortado seis talhões”.
Crítica aos Funcionários Públicos: “700 carregam o piano e 2.000 estão sentados em cima”
Um dos momentos mais impactantes da fala do secretário foi sua avaliação sobre o funcionalismo público municipal. Judésio Borges fez uma analogia contundente para defender a necessidade de uma revisão no estatuto dos servidores.
“Nós temos uma máquina pública com 2.700 funcionários… onde hoje 700 carregam o piano e 2.000 estão sentados em cima do piano”, afirmou, gerando reação no plenário. Ele argumentou que a falta de ferramentas para coibir más condutas prejudica serviços essenciais. “Eu não posso coibir o funcionário que vai para o horto florestal e ele vai para dentro da trilha, pega um cantinho e vai descansar até as 17 horas, eu não posso, não tem como eu coibir, eu não tenho ferramentas para coibir”.
Borges lançou um desafio aos parlamentares: “Peço ao senhor que se una, crie uma comissão e crie ferramentas para que o secretário possa coibir o mau funcionário… O dia que nós tivermos uma máquina pública com 2.700 funcionários exercendo as suas funções, nós seremos o município mais top dos 5.500 municípios que existe no Brasil”.
Ao final, o secretário se colocou à disposição para novos debates e forneceu o telefone da Secretaria de Meio Ambiente (3711-0200) para o contato da população. A sessão seguiu com perguntas de outros vereadores, que cobraram, sobretudo, a normalização imediata da coleta de lixo e soluções concretas para o Horto.
Durante a palavra livre, diversos vereadores, como Hidalgo de Freitas, Pedro Fusco e Jairinho do Paineiras, que criticaram a atuação do secretário no Meio Ambiente.

















