Em uma audiência pública realizada na terça-feira (11) na Câmara Municipal de Avaré, autoridades e especialistas em segurança aquática alertaram para o aumento preocupante de afogamentos na Represa Jurumirim e discutiram medidas para reforçar a proteção de banhistas na Orla do Camping Municipal e Costa Azul. O evento, proposto pelo vereador Moacir Lima, reuniu representantes do Corpo de Bombeiros, Marinha, Guarda Civil Municipal (GCM), escoteiros e administração municipal.
O Tenente Lyrio, do Corpo de Bombeiros, apresentou números que ilustram a gravidade da situação: somente em Avaré, a corporação registrou 150 ocorrências em 30 dias, entre resgates e atendimentos pré-hospitalares. Considerando os outros quatro municípios da região atendidos pelo mesmo quartel, a média mensal sobe para 300 ocorrências.
Os dados de afogamentos mostram uma tendência preocupante: 5 casos em 2022, 2 em 2023, 4 em 2024 e, em 2025, mesmo antes do verão, já foram registrados 6 afogamentos. “Temos uma camionete e equipe especializada em salvamento aquático, mas o efetivo é pequeno. São 27 bombeiros para cobrir plantões 24 horas durante todo o mês”, explicou Lyrio, que se disse responsável por cada vida perdida nas águas de Avaré.
O bombeiro da reserva Jairo alertou sobre os perigos ocultos da represa: “Quem nunca mergulhou ali não imagina: o píer chega a ter 120 metros de comprimento e a profundidade pode ultrapassar 40 metros entre as pilastras da ponte”. Um vídeo exibido durante a audiência mostrou bombeiros em treinamento descendo a quase 40 metros de profundidade, destacando os riscos reais do local.
Janaína Soares, responsável pelo Camping Municipal, reforçou que o píer não é trampolim e revelou que a última vítima de afogamento havia sido orientada a não pular no local pelos guardas civis de vigilância. “Mesmo com placas de proibição, muitos insistem. É essencial que a população respeite as regras de segurança”, alertou.
MEDIDAS – O secretário Jorge Carvalheira anunciou que, com a implantação da Guarda Civil Municipal, está nos planos para os próximos anos a criação de uma Patrulha Aquática para apoiar as ações dos bombeiros e orientar banhistas nas áreas mais críticas.
Apesar de não comparecer por estar em agenda institucional em Brasília, o prefeito Roberto Araujo (PL) já havia anunciado medidas preventivas, incluindo plantões de dois bombeiros aos sábados e domingos no local, além da assinatura do convênio da Atividade Delegada em parceria com o Governo do Estado de São Paulo.
O movimento escoteiro, representado por Neves, colocou-se à disposição para ações voluntárias de conscientização, enquanto o Capitão Logan, da Marinha, reforçou a importância da conscientização de condutores e banhistas.
Para o vereador Moacir Lima, idealizador da audiência, “a conscientização dos banhistas é o ponto fundamental”. O debate terminou com o compromisso de todas as entidades em continuar trabalhando de forma integrada, com campanhas educativas, melhorias estruturais e ações conjuntas voltadas à segurança da população e turistas.




















