O vereador Magno Greguer protocolou na manhã desta segunda-feira (27) o relatório final da Comissão Processante (CP) que apura suposta quebra de decoro parlamentar do presidente da Câmara Municipal de Avaré, vereador Cabo Samuel Paes.
O documento, assinado pelo relator, opina pela procedência da denúncia. Em pronunciamento nas redes sociais, Greguer afirmou: “Acabei de protocolar o relatório final da CP. Como todos sabem, a gente é obrigado a opinar pela procedência ou improcedência. Optei pela procedência”.
Segundo o relator, o parecer será encaminhado ao presidente da comissão, que decidirá se concorda ou não com a conclusão. “O meu pedido foi pela procedência para que vá ao plenário. Hoje o plenário é soberano, para que os vereadores votem em relação a isso”, explicou Greguer.
De acordo com informações obtidas pelo A Voz do Vale, não haverá um relatório separado. O documento protocolado será votado diretamente pelo plenário da Câmara.
Para que haja a cassação do presidente, são necessários 9 votos favoráveis entre os vereadores. Com o relatório protocolado, caberá agora à Mesa Diretora da Casa incluir o caso na pauta de votação.
A Comissão Processante é formada por três vereadores: Hidalgo André de Freitas como presidente, Magno Greguer como relator e Moacir Lima como membro.
Cronograma das oitivas: quem foi ouvido e quando
A Comissão Processante foi instaurada em 2 de fevereiro de 2026 e, desde então, realizou uma série de oitivas.
As otividas começaram no dia 17 de março. A primeira a prestar depoimento foi Juliane Cristina de Oliveira, autora da denúncia que motivou a abertura do processo.
Já no dia 25 de março, foram ouvidas quatro testemunhas: Rodrigo Zamonelli e José Fernando Theodoro da Silva, ambos servidores da Câmara, além de Fábio Cromeck e José Ricardo Godoy. No dia 26 de março, foi a vez de Vinícius Berna, munícipe que foi retirado do plenário no dia do episódio, e do delegado Rubens César Garcia Jorge prestarem depoimento. Já no dia 27 de março, o presidente da Câmara e denunciado, Cabo Samuel Paes, foi ouvido pela comissão.
No dia 17 de abril, uma reviravolta marcou as oitivas da Comissão Processante. O depoimento da munícipe Priscila Regina Bexiga trouxe revelações importantes. Sob juramento, ela afirmou que a denúncia não partiu espontaneamente da denunciante oficial, Juliane Oliveira, mas sim que a jornalista Cida Koch, responsável pelo Jornal In Foco, teria sido a “mentora intelectual” e verdadeira autora da minuta da denúncia.
A defesa do vereador Cabo Samuel Paes, conduzida pelo advogado João Drummont de Freitas, questionou a testemunha sobre o caráter das publicações do jornal. Priscila confirmou que as matérias eram “tendenciosas” e “planejadas” com o objetivo de forçar a cassação do presidente da Casa.
Procurada pelo A Voz do Vale, a jornalista Cida Koch não se manifestou ao jornal, somente postando o seu lado em seu site de notícias.
O episódio que deu origem à denúncia
As apurações têm como pano de fundo os acontecimentos ocorridos durante uma sessão extraordinária no dia 1º de dezembro de 2025, quando foi aprovado um projeto de lei que reajustava os salários dos vereadores. Na ocasião, o munícipe Vinícius Berna protestou de forma veemente contra a proposta.
O presidente da Casa, Cabo Samuel Paes, solicitou que ele se manifestasse de forma pacífica. Diante da recusa, Paes determinou a retirada do cidadão do plenário. Berna foi imobilizado e retirado à força por quatro pessoas, entre elas o próprio presidente.
Após o episódio, Vinícius Berna registrou boletim de ocorrência, relatando ter sido agredido pelas quatro pessoas, com arranhões no rosto e nos braços. Em publicações nas redes sociais, ele admitiu ter se exaltado devido à indignação com o projeto, mas negou ter agredido intencionalmente os servidores.
A Câmara Municipal, por sua vez, afirmou que a confusão foi registrada pelas câmeras de segurança e que não houve agressão por parte dos servidores ou do presidente, tratando-se de uma imobilização legítima diante da resistência e agressividade do munícipe.
A Casa informou que as imagens foram entregues às autoridades e reiterou que não tolerará ações que atentem contra a ordem no Legislativo.
Em pronunciamento, o presidente Cabo Samuel Paes classificou o ocorrido como “triste” e defendeu sua atitude como necessária para “preservar a segurança”. Ele afirmou que agiu como policial para imobilizar e retirar o indivíduo após as devidas advertências.
Com o relatório protocolado opinando pela procedência, a palavra final será do plenário. Caberá aos vereadores decidir se o presidente da Câmara cometeu ou não quebra de decoro parlamentar. A votação pode ocorrer nos próximos dias, após definição da Mesa Diretora.
Como fez desde o começo, o A Voz do Vale seguirá acompanhando o caso e trará atualizações assim que houver novos desdobramentos.

















