Decisão de transferir a tradicional exposição agropecuária para setembro, junto às comemorações do aniversário da cidade, é vista pelo setor produtivo como uma conquista histórica após décadas de reivindicações_
A decisão de transferir a realização da Exposição Municipal Agropecuária e Industrial de Avaré (EMAPA) para o mês de setembro, coincidindo com as comemorações do aniversário do município, foi recebida com entusiasmo por representantes do setor produtivo local. Para empresários e comerciantes, a mudança representa uma oportunidade de fortalecer a economia da cidade, ampliar a circulação de recursos no comércio e valorizar quem gera emprego e renda em Avaré.
Entre os defensores da alteração está o presidente da Associação Comercial, Industrial e Agropecuária de Avaré (ACIA), Cássio Jamil Ferreira. Segundo ele, a mudança concretiza um desejo antigo do setor empresarial e corrige uma situação que, por décadas, impactou diretamente o comércio local. “Depois de mais de 40 anos, conseguimos ver avançar um sonho que sempre foi defendido por comerciantes e empresários. A realização da EMAPA junto ao aniversário de Avaré cria um ambiente mais favorável para a economia local e para os negócios da cidade”, afirma.
A avaliação da ACIA está diretamente ligada aos reflexos econômicos provocados pela realização da exposição em dezembro. Tradicionalmente, o evento ocorria justamente no período em que o comércio se prepara para as vendas de Natal, considerado o momento mais importante do ano para diversos segmentos econômicos. Segundo Cássio Jamil Ferreira, quando realizada no fim do ano, a EMAPA acabava absorvendo uma parcela significativa dos recursos que normalmente circulariam entre as empresas locais.
“O comércio é o maior gerador de empregos de Avaré. Quando a exposição acontecia em dezembro, grande parte do dinheiro que chegava à economia por meio do décimo terceiro salário era direcionada para o evento. Como muitos ambulantes e comerciantes temporários vêm de outras cidades, uma parte importante desses recursos acabava saindo do município”, observa. A situação se tornava ainda mais delicada porque dezembro também é um dos meses de maior pressão financeira para as empresas.
Além do pagamento do décimo terceiro salário aos colaboradores, os empresários enfrentam férias, reforço de estoques, despesas operacionais ampliadas e uma série de compromissos típicos do encerramento do ano. “É um período em que o empresário já trabalha com custos elevados. Ao mesmo tempo, o comércio depende das vendas de Natal para equilibrar suas contas e manter empregos. A mudança da data traz um alívio importante e permite que a economia local aproveite melhor esse período estratégico”, explica o presidente da entidade.
Atualmente, a ACIA reúne cerca de 800 associados dos mais diversos segmentos econômicos, representando um dos principais motores de geração de emprego, renda e arrecadação do município. Para a entidade, a realização da EMAPA em setembro cria uma oportunidade de integração entre duas importantes celebrações da cidade: a tradicional festa e o aniversário de Avaré.
Na prática, a expectativa é que a concentração das festividades em um mesmo período aumente a permanência dos visitantes, estimule o consumo no comércio local, fortaleça o setor de serviços e gere reflexos positivos para hotéis, restaurantes, supermercados, postos de combustíveis e demais atividades econômicas.
Cássio Jamil Ferreira também destacou a sensibilidade da atual administração municipal em ouvir uma reivindicação antiga do setor produtivo. Segundo ele, a mudança demonstra atenção às necessidades de quem empreende, investe e gera empregos no município. “A economia de uma cidade é construída todos os dias pelos empresários, comerciantes, prestadores de serviços e trabalhadores. Quando uma decisão leva em consideração esses impactos econômicos, todos ganham. É uma medida que fortalece a cidade como um todo”, afirma.
Do ponto de vista tributário e econômico, especialistas apontam que manter a circulação dos recursos dentro do próprio município é um dos fatores mais importantes para impulsionar o desenvolvimento local. Quanto maior a permanência do dinheiro na economia da cidade, maior tende a ser o efeito multiplicador sobre emprego, renda, arrecadação e investimentos. Nesse contexto, a transferência da EMAPA para setembro é vista não apenas como uma mudança de calendário, mas como uma estratégia capaz de gerar benefícios econômicos permanentes para Avaré.
“Após décadas de debate, a alteração da data surge como uma conquista histórica para o setor produtivo e abre uma nova perspectiva para que uma das maiores festas do interior paulista continue crescendo sem competir diretamente com o período mais importante para o comércio local”, destacou o prefeito Roberto Araujo.
Legenda
Presidente da ACIA, Cássio Jamil Ferreira, declarou que mudança da data era sonho de 40 anos


















