Com informações do G1
A enfermeira Maria Eduarda Cardoso Ferreira, de 25 anos, morreu na última sexta-feira (17), em Coronel Macedo (SP), após uma batalha contra um melanoma em estágio avançado. A morte foi confirmada pela família na segunda-feira (20).
Segundo a mãe da jovem, Andréia Cardoso Ferreira, Maria Eduarda sofreu um sangramento cerebral após o câncer atingir o sistema nervoso central. Na sexta-feira, ela passou a sentir fortes dores e mal-estar. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas a jovem morreu durante o trajeto até o hospital.
“A Duda lutou até o último dia e suspiro contra essa doença. Infelizmente, neste último diagnóstico, a doença atingiu o sistema nervoso e a cabeça dela. Ela foi muito especial”, afirmou a mãe.
Casada e mãe de um bebê de cinco meses, Maria Eduarda conseguiu realizar um ds seus maiores desejos pouco antes da morte: acompanhar o batizado do filho Rafael, celebrado um dia antes de seu falecimento. “Ela queria viver, queria a cura dessa doença, pois queria estar cuidando do Rafael”, lamentou Andréia.
Nos últimos meses, o avanço do câncer comprometeu a mobilidade e a comunicação da enfermeira. Mesmo diante das limitações, ela manteve a esperança de vencer a doença.
“A doença foi tomando conta dela, mas mesmo assim, cada dia mais ela lutava e falava: ‘eu vou vencer’. A Maria Eduarda era uma menina doce, meiga, carinhosa, que amava a vida e lutava pelos sonhos dela”, recordou a mãe.
LUTA – Além da batalha contra o câncer, Maria Eduarda enfrentava uma disputa judicial para conseguir acesso a um tratamento de imunoterapia, indicado por seus médicos. Cada aplicação do medicamento custava cerca de R$ 80 mil e não era disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A família acreditava que o tratamento poderia aumentar as chances de controle da doença, mas o pedido foi negado pela Justiça Federal.
De acordo com o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), a decisão seguiu entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece critérios para a concessão judicial de medicamentos não incorporados ao SUS, entre eles a comprovação técnica da indispensabilidade do tratamento.
Mesmo sem a autorização judicial, familiares e amigos organizaram campanhas de arrecadação, permitindo que Maria Eduarda recebesse algumas doses da medicação.
Segundo Andréia, quando isso ocorreu, o câncer já apresentava metástases em diversas partes do organismo.
DIAGNÓSTICO – O diagnóstico foi feito em março de 2025, após a enfermeira perceber alterações em uma pinta de nascença localizada na coxa esquerda. Por atuar na área da saúde, ela suspeitou que as mudanças poderiam indicar um problema e decidiu realizar uma biópsia.
Após a confirmação do melanoma, iniciou tratamento em Jaú (SP), passando por cirurgias e, posteriormente, foi encaminhada ao Hospital de Amor, em Barretos (SP).
Ela chegou a ser selecionada para participar de uma pesquisa clínica envolvendo imunoterapia, mas a participação precisou ser interrompida após a descoberta da gravidez.
Durante a gestação, exames apontaram a progressão da doença. Em fevereiro deste ano, novos exames revelaram metástases nos ossos, pulmões, linfonodos e tecidos subcutâneos.
Os médicos recomendaram a imunoterapia como alternativa para conter o avanço do melanoma e ampliar a sobrevida da paciente.
MOBILIZAÇÃO – A história de Maria Eduarda mobilizou moradores de Coronel Macedo e cidades da região. Amigos e familiares organizaram campanhas solidárias para arrecadar recursos destinados ao tratamento.
Em abril deste ano, uma carreata percorreu diversas ruas da cidade com balões verdes e mensagens de apoio. Ao final da mobilização, os participantes se reuniram em uma praça para uma oração em favor da recuperação da jovem.
A morte de Maria Eduarda causou grande comoção entre familiares, amigos, colegas de profissão e moradores da cidade, que acompanharam de perto sua luta contra o câncer e a corrente de solidariedade formada em busca de uma chance de tratamento.


















