O proprietário do Dover Circo, Douver Adriano, revelou que a Cooperativa Brasileira do Circo (Circoop) deverá ingressar com uma ação judicial e uma representação no Conselho de Ética da Câmara Municipal de Avaré contra a vereadora Adalgisa Ward. A decisão, segundo ele, foi motivada por um vídeo publicado pela parlamentar, que questionava a legalidade e a localização do empreendimento, o que, para Douver, causou a saída prematura da cidade.
Em entrevista ao influencer Pauloh Proença nas redes sociais na sexta-feira (29), Douver explicou que o circo deixou Avaré na última terça-feira (26) devido à repercussão negativa gerada pelo vídeo de Adalgisa, publicado em 22 de agosto. “Eu me senti ofendido. Por que, da forma que ela disse: ‘olha o perigo aqui na frente da escola’, que perigo o circo vai trazer para a criança?”, questionou.
O vídeo em questão, gravado em frente à Escola José Rebouças de Carvalho, no bairro Santa Elizabeth, mostrava a vereadora questionando a presença do circo no local e se ele possuía alvará. A publicação gerou grande polêmica, e um representante do circo chegou a culpar a parlamentar pela decisão de deixar a cidade.
Douver disse que o circo operava com toda a documentação necessária, incluindo AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) e alvará, e que a localização foi escolhida em parceria com a Secretaria de Cultura do município. “O circo estava totalmente legal dentro de Avaré. Por que o circo foi embora de Avaré? O circo foi embora de Avaré porque depois que a senhora Adalgisa, a vereadora, esteve em frente ao circo, fez um vídeo que, no meu entender, e eu acho que de muita gente que acompanhou o vídeo, foi pejorativo, foi ofensivo e até preconceituoso”, desabafou.
O proprietário do circo ressaltou que, se a intenção da vereadora fosse apenas fiscalizar, ela poderia ter solicitado os documentos diretamente. “Fiscalizar era ter chegado na portaria do circo, se identificado como vereadora, [e perguntado] ‘vocês têm documentação, tem como mostrar o alvará, tem como mostrar o AVCB?’, e a gente ia estar pronto e ia mostrando”, disse Douver.
Ele ainda afirmou que tentou contato com a vereadora para esclarecer a situação e que pediu para ela retirar o vídeo, mas ela se negou. “O circo era fechado à portaria durante o dia, não tinha entra e sai de ninguém, as pessoas que trabalham no circo, claro, elas têm que sair e entrar, mas eles usavam a parte do fundo, do outro lado. A gente ficou entre duas ruas, então a gente entrava e saía pelo fundo do circo, mas as pessoas que trabalham no circo são todas famílias”, disse.
“O que ela veio fazer na frente do circo foi um vídeo, e um vídeo onde ela taxa a gente como bandido, porque ela falou, aonde já se viu um circo aqui na frente da escola, com um povo estranho, entra e sai. Ela mostrou o circo, e a forma que ela mostrou prejudicou, porque a partir disso eu senti que o meu movimento caiu, eu comecei a receber muita mensagem perguntando qual o perigo que o circo tem, quem é esse povo que entra e sai do circo toda hora”.
Douver Adriano finalizou dizendo que o vídeo prejudicou a imagem do circo na cidade. “A forma que ela colocou deu a impressão que o circo tem bandido. O circo, então, tem perigo. Qual o perigo que o circo tem por ter montado em frente a uma escola?”, questionou, enfatizando que a repercussão negativa causou uma queda no público e inviabilizou a continuidade das apresentações. A repercussão do caso foi tamanha que, segundo Douver, o circo foi procurado até mesmo por diretores do programa do apresentador Ratinho, que se solidarizaram com a situação.
O circense informou que, após a polêmica, o circo foi pra cidade de Itatinga. “Eu estou agora na cidade de Itatinga, estou em frente à escola, programado em frente à escola na Praça da Família. Então, é um privilégio um circo ter em frente à escola, porque abre um leque muito grande para as crianças trabalharem. Circo é diversão, é alegria, não tem perigo nenhum. Pelo contrário, o circo, a gente tem 24 horas de segurança no circo, tem as câmeras filmando e outra coisa. As pessoas que trabalham no circo são famílias, meus filhos”, disse.
OUTRO LADO – Adalgisa Ward se defendeu na sessão da Câmara de segunda-feira (25), alegando que não criticou o circo, mas sim o local de instalação. Ela afirmou que apenas questionou a situação após receber supostas reclamações de mães preocupadas. “Eu não falei mal do circo. Fui procurada por mães que falaram que tinha um circo na frente da escola. Fui no local e perguntei: ‘Um circo perto de uma escola? Será que foi dado o alvará para que esse circo ficasse aqui?’”, declarou a vereadora. “Eu sou favorável ao circo, sou favorável à Cultura e ao entretenimento, ao lazer para essas crianças. Eu, em nenhum momento, falei mal do circo.”
Apesar da justificativa, a publicação e suas consequências acenderam um debate sobre os limites da fiscalização parlamentar e o impacto de declarações públicas sobre pequenos empreendedores e iniciativas culturais.

















