Trabalho de inteligência avançou a partir de suposto roubo registrado em setembro; investigação já resultou em duas prisões e na apreensão de parte das mercadorias
A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Avaré, prendeu preventivamente nesta quarta-feira (7/10) um homem de 43 anos investigado por possível participação em um esquema de desvio e comercialização clandestina de cargas de cigarros. Na mesma ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência e no estabelecimento comercial do investigado, em Avaré, onde foram encontrados cigarros, aparelhos telefônicos, notebooks e outros materiais de interesse para a investigação. A prisão preventiva foi determinada pela Vara Regional das Garantias da 3ª Região Administrativa Judiciária, em Bauru.
A ação marca a segunda etapa de prisões no caso. A primeira ocorreu em 18 de setembro, quando outro investigado foi preso em flagrante e parte dos cigarros foi localizada. Desde então, o cruzamento de apreensões, depoimentos, registros policiais e outras informações levou a DIG a aprofundar a hipótese de que o episódio inicialmente apresentado como roubo poderia, em tese, estar relacionado a um desvio previamente articulado.
O avanço da apuração foi sustentado por diferentes frentes de inteligência. Os investigadores confrontaram a narrativa inicial com dados relacionados ao rastreamento da mercadoria, ao aparelho celular utilizado pelo motorista, às imagens de câmeras de monitoramento e à dinâmica dos fatos. Também analisaram ocorrências anteriores, depoimentos e os resultados das primeiras buscas, formando um conjunto de elementos que embasou novas medidas cautelares.
Do suposto roubo à primeira prisão
O caso começou em 8 de setembro, após o registro de um suposto roubo na zona rural de Avaré. A carga, pertencente à Philip Morris e transportada por uma distribuidora, incluía 497,66 milheiros de cigarros de diversas marcas, avaliados em mais de R$ 300 mil, além de outros produtos. O homem preso nesta quarta-feira era o motorista responsável pelo transporte.
Durante os primeiros levantamentos, a DIG encontrou inconsistências na versão apresentada, especialmente em relação ao telefone utilizado pelo motorista, ao rastreamento da carga e à dinâmica narrada para o desaparecimento da mercadoria. Posteriormente, uma denúncia anônima indicou outro homem como possível detentor de parte dos cigarros, levando a equipe a aprofundar as diligências e obter autorização judicial para buscas.
Outro ponto importante da investigação foi a análise de imagens de câmeras de monitoramento, que registraram veículos relacionados à movimentação ocorrida no dia do suposto roubo. As gravações foram examinadas pela DIG e passaram a integrar o conjunto de elementos utilizados para reconstruir os deslocamentos e confrontar as informações obtidas durante a apuração.
As diligências também permitiram relacionar ao caso um VW/Gol branco e um GM/Corsa Sedan prata. Em depoimento, o homem posteriormente preso em flagrante afirmou que acompanhava a van transportadora utilizando o Gol, enquanto sua companheira conduzia o Corsa, seguindo até uma estrada rural nas proximidades do aeroporto de Avaré, local que, segundo sua versão, havia sido previamente combinado. Os dois automóveis foram posteriormente apreendidos pela Polícia Civil, acrescentando novos elementos à reconstrução da dinâmica investigada.
Em 18 de setembro, durante o cumprimento dos primeiros mandados, a DIG apreendeu 103 maços de cigarros, aproximadamente 136 gramas de cocaína divididos em cerca de 100 porções, 4,7 gramas de maconha, balança de precisão, embalagens utilizadas para acondicionamento de drogas, celulares e os dois veículos. Os cigarros estavam escondidos em um baú, sob roupas. O homem encontrado no local foi preso em flagrante.
Em depoimento, ele admitiu ter recebido parte dos cigarros e participado da posterior comercialização da mercadoria. Também apontou o motorista como responsável pelas tratativas relacionadas ao suposto esquema. A versão encontrou correspondência parcial em outro depoimento e foi reforçada por reconhecimento fotográfico formal, direcionando a investigação também para a possível participação do motorista no desvio.
Inteligência identificou histórico de ocorrências semelhantes
Ao aprofundar o caso, a DIG pesquisou registros anteriores e identificou ocorrências nos anos de 2012, 2014, 2015, 2017, 2018, 2020 e 2026 envolvendo o mesmo motorista e cargas de cigarros da Philip Morris transportadas pela mesma distribuidora.
A análise apontou características recorrentes, como aparente conhecimento prévio das rotas de distribuição, abordagens durante as entregas, deslocamentos para locais ermos ou áreas rurais e transbordo das cargas para outros veículos. A repetição desse padrão ao longo de aproximadamente 14 anos, somada aos elementos obtidos na investigação atual, levou a DIG a aprofundar a apuração sobre eventuais coautores, receptadores, intermediários e destinatários das mercadorias.
Segunda prisão e novas apreensões
Com base no conjunto de elementos reunidos, a Justiça expediu mandado de prisão preventiva contra o investigado de 43 anos, cumprido nesta quarta-feira. Simultaneamente, a DIG realizou buscas na residência e no estabelecimento comercial mantido por ele.
Foram apreendidos diversos pacotes de maços de cigarros de diferentes marcas, todos da Philip Morris e de possível origem ilícita. Parte apresenta características compatíveis com os cigarros encontrados na primeira etapa. Também foram recolhidas balas e gomas da marca Fini, produtos que constavam entre as mercadorias relacionadas à carga investigada.
Os policiais apreenderam ainda dois smartphones, dois aparelhos telefônicos antigos e dois notebooks. Os equipamentos serão analisados em busca de contatos, comunicações e outros dados que possam contribuir para identificar eventuais participantes, esclarecer a destinação das mercadorias e verificar possíveis vínculos entre os envolvidos.
“Investigação foi construída por etapas”, destaca delegado
Para o delegado Adriano Leite de Assis, titular da DIG de Avaré, o resultado é fruto da continuidade do trabalho investigativo. “A equipe não se limitou à versão inicialmente apresentada. Foram confrontadas informações, realizadas diligências, levantamentos de inteligência e pesquisas sobre ocorrências anteriores. As apreensões, os depoimentos e os demais elementos obtidos permitiram identificar inconsistências e estabelecer novas linhas de investigação. É um caso construído por etapas, com base em elementos concretos”, destacou.
Segundo o delegado, a apuração prossegue com a análise do material recolhido. “Os equipamentos eletrônicos apreendidos serão confrontados com as informações já reunidas. O objetivo é esclarecer integralmente a dinâmica dos fatos, identificar eventuais outros envolvidos e verificar a possível existência de uma estrutura organizada para o desvio, armazenamento e comercialização dessas mercadorias”, acrescentou.
Com uma prisão em flagrante em 18 de setembro e uma prisão preventiva nesta quarta-feira, a DIG prossegue com as diligências para esclarecer a destinação da carga e identificar eventuais outros participantes. A investigação também busca apurar a possível existência de uma associação criminosa relacionada ao desvio, armazenamento e comercialização clandestina das mercadorias.
O homem preso permanecerá nas dependências do Plantão Policial de Avaré, à disposição da Justiça, até sua transferência para o sistema penitenciário.
























