Técnico campeão mundial de clubes com o Sírio em 1979 e quinto colocado nos Jogos Olímpicos Moscou 1980 no basquete, Cláudio Mortari morreu nesta quinta-feira, 25 de dezembro, aos 77 anos, em São Paulo.
25 de dezembro de 2025 19:05 GMT-3
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Nesta quinta-feira, 25 de dezembro, o basquete brasileiro perdeu um de seus mais importantes treinadores e personagens. Cláudio Mortari, responsável pelo primeiro título mundial de um clube brasileiro e por revelar grandes nomes do esporte no país, morreu aos 77 anos. Ele vivia em São Paulo (SP).
A família confirmou a morte em um comunicado no perfil do treinador no Instagram. A causa do óbito, contudo, não foi divulgada. “Briguei, lutei sempre em busca do correto e o mais profissional possível. Gerações de atletas, ensinamentos e aprendizagem. Meus agradecimentos a todos que estiveram comigo nesta jornada”, diz um trecho.
Ex-jogador de basquete, Cláudio Mortari abandonou precocemente as quadras aos 25 anos, em 1973, para dar início ao seu trabalho de treinador. Passou por algumas das principais equipes do país, como Palmeiras, Sírio, Corinthians, Pinheiros, Mogi, Rio Claro, Mackenzie, Bradesco, Pirelli Flamengo e Campos.
Seu último trabalho foi no São Paulo entre 2018 e 2021, conquistando o título paulista em 2021 (seu oitavo título na competição). Também foi campeão estadual no Rio de Janeiro, conquistou cinco títulos nacionais (o último em 1995 pelo Rio Claro) e a Liga das Américas, principal torneio do continente, em 2013 com o Pinheiros.
Os grandes momentos da carreira, contudo, vieram no Sírio, de São Paulo. Em 1979, comandando uma equipe que tinha Marcel e Oscar, conquistou o título mundial ao vencer o Bosna, da então Iugoslávia, na partida decisiva. Pela equipe paulista foram três títulos brasileiros e mais três sul-americanos entre 1977 e 1985.
Cláudio Mortari teve passagem rápida, mas marcante, pela seleção brasileira
Tamanho currículo, evidentemente, levou Cláudio Mortari ao comando técnico da seleção brasileira de basquete. Foi uma passagem rápida, mas memorável, sendo responsável por dar as primeiras oportunidades a grandes nomes do esporte no país.
Em 1979, quando já era um técnico consolidado na categoria adulta com o Sírio, liderou a equipe juvenil do Brasil na primeira edição do Mundial sub-19 de basquete masculino. No torneio realizado em Salvador, na Bahia, terminou com o vice-campeonato, atrás apenas dos Estados Unidos.
Na equipe jogavam nomes como Israel e Silvio, que seriam figuras constantes na equipe adulta ao longo da década de 1980 – inclusive na campanha do título dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, nos Estados Unidos.
No ano seguinte, contudo, Cláudio Mortari foi convidado para comandar a seleção adulta na disputa dos Jogos Olímpicos Moscou 1980. Foi a primeira das cinco participações Olímpicas de Oscar Schmidt – e o Brasil teve uma grande chance de disputar a medalha Olímpica.
Em uma campanha consistente, com direito a vitória de 90 a 77 sobre a Itália na fase final, a seleção ficou a uma cesta de dois pontos na última rodada para disputar a medalha de bronze. A derrota para a Iugoslávia por 96 a 95, contudo, deixou o país na quinta posição.
Cláudio Mortari lançou Oscar Schmidt ao basquete – e ao estrelato
A primeira experiência de Cláudio Mortari como técnico de basquete foi nas categorias de base do Palmeiras. Lá, ele conheceu o jovem Oscar Schmidt, que já se destacava como uma das promessas do esporte. Quando assumiu a equipe adulta alviverde em 1976, rapidamente consolidou o atleta, então com 18 anos, ao time profissional.
Em 1978, quando aceitou a proposta do Sírio, uma das primeiras ações do treinador foi contratar o ala-pivô para a equipe, tornando-se peça fundamental no sucesso da equipe paulista nos anos seguintes. Na seleção, Mortari também foi o responsável em dar a primeira oportunidade a ele em um grande torneio com os Jogos Olímpicos Moscou 1980.
Depois disso, eles se reencontrariam no Flamengo entre 1999 e 2001, onde ganhariam juntos o Campeonato Carioca de 2000 (único título estadual do treinador fora de São Paulo).
Foto de João Pires/LNB
Por Gustavo Longo


















