Ídolo do futsal marcou logo no início e viveu uma noite de emoção na Arena Sorocaba
Murilo Aguiar
Noite de despedida costuma ser carregada de simbolismo, mas a de Rodrigo Capita conseguiu ir além. Na vitória do Magnus por 4 a 0 sobre o Tubarão, na noite desta sexta-feira (24), na Arena Sorocaba, pela 14ª rodada da Liga Nacional de Futsal, o resultado foi apenas parte de um roteiro que parecia escrito para eternizar um ídolo.
O jogo começou, e bastou um toque. No primeiro contato com a bola, Capita fez aquilo que marcou toda a sua carreira: decidiu. Abriu o placar e transformou o ginásio em um cenário de explosão coletiva. Depois vieram Dieguinho, Leandro Lino e Vágner, completando a vitória — mas, naquela noite, cada gol parecia apenas acompanhar a história principal.
As arquibancadas estavam tomadas não só pela torcida, mas por nomes que ajudaram a construir o futsal e também o futebol brasileiro. Entre os presentes, Lucas Moura e o ex-jogador e comentarista Ricardinho vieram prestigiar o camisa 14. No futsal, a quadra virou ponto de encontro de gerações: Marcel, Rocha e Charuto, companheiros de Magnus, além do Rei do Futsal, Falcão, e Fred, responsável por aproximar ainda mais o clube do público com a série no YouTube “Vai Pra Cima, Fred”.
As homenagens vieram de todos os lados. Faixas, aplausos, gritos e reconhecimento constante a cada toque na bola. Fora de quadra, o tributo também ganhou forma institucional. O jornal Cruzeiro do Sul prestou homenagem ao atleta pelas mãos do diretor educacional Pedro Roberto Pereira de Souza, da Fundação Ubaldino do Amaral (FUA), mantenedora do jornal e do Colégio Politécnico. Pedrinho também entregou ao Capita uma homenagem do Panathlon Brasil, reforçando a dimensão do legado construído ao longo dos anos.
Mas talvez nenhuma fala tenha traduzido tão bem o momento quanto a de Falcão. Parceiro de longa data, dentro e fora das quadras, ele resumiu o tamanho da despedida: “Rodrigo, você trouxe um legado muito grande para o futsal de Sorocaba, ao futsal que dava amor, que voltou à vida, muito graças à parceria que você fez com o pessoal do Brasil Kirin, na época. Você teve uma despedida única aqui na cidade.”
Ao relembrar a trajetória ao lado do amigo, o Rei do Futsal destacou o privilégio de escolher o momento de parar. “O Rodrigo foi meu parceiro muitos anos na seleção, muitos anos no clube. A gente dividiu o quarto também, fora a amizade fora de quadra — sou padrinho do filho dele. Ele é um privilegiado, assim como eu fui, de escolher o momento de parar. Muitos atletas param por lesão, por dores, e ele para no auge.”
Falcão também chamou atenção para o impacto que Capita deixa no esporte. “Ele mudou o patamar do futsal, principalmente na posição dele. Estou muito feliz por ele, muito feliz de saber a história que ele escreveu.”
E fez um alerta sobre o futuro: “Nenhum esporte vive sem ídolos. O Rodrigo é uma referência, porque é aquele cara que todo mundo conhece, até fora do futsal. Ele para deixando um buraco muito grande, que a gente espera que logo apareça outro.”
Dentro de quadra, o jogo seguiu. Fora dela, o tempo parecia desacelerar. Cada aplauso, cada olhar e cada gesto carregavam a sensação de que não era apenas o fim de uma carreira, mas o encerramento de um ciclo que ajudou a transformar o Magnus e o próprio futsal brasileiro.
Naquela noite, o 4 a 0 foi só o placar. A despedida de Rodrigo Capita foi muito maior do que isso.
Legenda
Gesto simples que diz tudo: o aplauso de quem fez história (Crédito: Lucka Cyriaco/Magnus Futsal)

















