Ao retornar para casa após o término do plantão, escrivão da Polícia Civil de Avaré reconheceu idoso de 72 anos desaparecido, caminhando às margens de uma rodovia; atenção aos detalhes e rápida intervenção garantiram um desfecho feliz.
Uma coincidência improvável, um olhar atento e a experiência de quem aprendeu a perceber detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Foi essa combinação que transformou uma situação de preocupação familiar em uma história de reencontro e alívio, em Avaré. Na manhã de quarta-feira (7/10), o escrivão da Polícia Civil Robson Gomes, de 52 anos, retornava para sua residência após o término do plantão na Central de Polícia Judiciária de Avaré, quando reconheceu um idoso de 72 anos, desaparecido desde o dia anterior, caminhando às margens da Rodovia Salim Antônio Curiati (SP-245), nas proximidades do acesso à empresa Melitta.
A história começou na terça-feira (6), quando um homem de 57 anos procurou a Central de Polícia Judiciária de Avaré para comunicar o desaparecimento do companheiro de sua sogra. O idoso havia saído de casa por volta das 9 horas e não retornara. A preocupação dos familiares era agravada pelos frequentes lapsos de memória apresentados pelo desaparecido, circunstância que aumentava sua vulnerabilidade.
Coube justamente ao escrivão que o encontraria horas depois registrar a ocorrência. Durante o atendimento, o policial recebeu informações sobre as características físicas, vestimentas e uma fotografia do desaparecido. Alto, magro, de cabelos grisalhos e bigode branco, o idoso teve suas características cuidadosamente observadas pelo servidor, sem que este imaginasse a importância que aqueles detalhes teriam pouco tempo depois.
Na manhã seguinte, já fora de seu horário de serviço e a caminho de casa, o escrivão avistou um homem caminhando próximo ao acostamento da rodovia, com um dos pés descalço. A cena despertou sua atenção. Ao observar melhor, percebeu a semelhança com a pessoa cujo desaparecimento havia registrado. O policial estacionou o veículo e se aproximou para oferecer ajuda. Ao ser questionado sobre sua identidade, o homem retirou um documento do bolso, confirmando a suspeita: era exatamente o idoso procurado pela família.
O estado em que foi encontrado reforçou a importância da intervenção. O homem apresentava sinais de hipotermia, queixava-se de frio intenso e demonstrava desorientação, afirmando que precisava trabalhar e apontando para a direção de Cerqueira César. Diante da situação, o escrivão acionou a Polícia Militar Rodoviária, que prontamente enviou uma equipe para prestar apoio e encaminhar o idoso ao Pronto-Socorro Municipal de Avaré.
Paralelamente, o policial entrou em contato com seus colegas do plantão para obter o telefone do familiar que havia registrado o desaparecimento. Localizado o contato, comunicou o encontro e informou sobre o encaminhamento médico. Posteriormente, recebeu a confirmação de que o idoso havia sido atendido, encontrava-se em bom estado geral de saúde e já estava novamente sob os cuidados da família.
O escrivão fez questão de agradecer aos policiais civis que integravam a equipe do plantão, destacando a rapidez no atendimento à sua solicitação e a colaboração prestada, que contribuíram para o desfecho positivo da ocorrência. Também ressaltou o apoio fundamental da Polícia Militar Rodoviária, cujos integrantes atenderam prontamente ao chamado e garantiram a assistência e o encaminhamento seguro do idoso à unidade de saúde. A atuação conjunta demonstrou a importância da cooperação entre as forças de segurança, especialmente em situações que envolvem pessoas vulneráveis.
Mais do que uma coincidência feliz, o episódio evidencia uma dimensão importante da atividade policial: a capacidade de observar, reconhecer situações de vulnerabilidade e agir prontamente para proteger vidas. O conhecimento adquirido durante um atendimento aparentemente rotineiro foi decisivo para transformar um encontro inesperado em uma intervenção bem-sucedida.
Ao final, o acaso colocou um policial e um idoso desaparecido no mesmo caminho. Mas foram a memória, a perspicácia, o compromisso profissional do escrivão e o apoio dos demais policiais que fizeram a diferença. Uma história de final feliz que demonstra como o trabalho policial também se traduz em sensibilidade, solidariedade e cuidado com as pessoas, mesmo quando o plantão termina e o policial já está a caminho de casa.

Legenda
Nome do idoso encontrado: José Marcelino Francisco
















