Um inquérito policial e uma disputa interna por poder têm agitado os bastidores da Associação Athlética Avareense (AAA). Em meio a denúncias de falsidade ideológica por membro do Conselho Deliberativo e retirada indevida de documentos, o presidente do clube, Wilson Alves Correa Filho, foi mantido em seu cargo na assembleia realizada neste domingo (17).
A pauta da assembleia, que teve como principal item a deliberação sobre a destituição do presidente, incluiu a análise de quatro pontos principais:
Descumprimento estatutário referente à contratação de uma prestadora de serviços (MEI) desde dezembro de 2022, com pagamento de 13º salário em dezembro de 2024.
Retirada e venda de parte do alambrado do clube sem autorização prévia do Conselho Deliberativo.
Compra de R$ 747,27 realizada no Supermercado Pinheirão em 31/01/2025, registrada em nome da Associação, com os itens utilizados em confraternização na residência do Presidente.
Aumento salarial concedido a determinados funcionários em novembro de 2024, sem previsão orçamentária e sem aprovação do Conselho.
A assembleia ocorreu na sede do clube, que conta com mais de 2 mil sócios, porém somente 217 participaram da votação. Ao final da contagem, 57 votos foram a favor da destituição, enquanto 160 votos foram a favor da permanência do Presidente. Com a ampla maioria de votos contrários à destituição, o Presidente da AAA permanece no cargo, por decisão democrática dos associados.
O caso expõe um racha na diretoria, com acusações de que a crise teria sido deflagrada por membros que perderam privilégios após a gestão de Wilson.
A defesa de Wilson chegou a solicitar uma liminar à Justiça para suspender a assembleia do dia 17, alegando falta de transparência no processo de convocação. Contudo, o encontro foi mantido, e os sócios do clube deram um voto de confiança ao presidente. Porém, o processo segue em trâmite no judiciário local.
INQUÉRITO POLICIAL – A Polícia Civil de Avaré instaurou um inquérito para apurar as denúncias, que foram formalizadas pelo presidente, por meio do advogado João Adolfo Drummond Freitas, do escritório Rocha&Negrão Sociedade de Advogados.
A investigação foi iniciada com base em um boletim de ocorrência registrado em 24 de julho, pelo atual presidente do clube, Wilson Alves Correa Filho, enquanto a investigada é a presidente do Conselho Deliberativo da associação, C.S..
Wilson acusa ela de retirar de forma irregular e se apropriar de documentação do clube. Segundo ele, essa conduta é uma violação do estatuto social da Associação, que proíbe a retirada de atas das reuniões do Conselho Deliberativo e da Diretoria da sede.
Além disso, o presidente alega que C. estaria fabricando “atas” com datas retroativas para “enganar terceiros e associados”. A secretária do clube teria se recusado a chancelar um relatório com data retroativa, pois o documento deveria ser elaborado na data da reunião.
OUTRO LADO – Em seu depoimento à polícia, a presidente do Conselho afirmou que existe um processo de impeachment em curso contra o presidente Wilson, com 14 denúncias apresentadas pelo ex-vice-presidente, das quais 4 foram consideradas procedentes. Ela alega que Wilson está divulgando inverdades para se eximir da responsabilidade e evitar a destituição do cargo.
A presidente do conselho explicou que as atas eram inicialmente esboçadas, digitalizadas posteriormente pelo secretário, e arquivadas pela secretária. Ela acrescentou que, às vezes, as atas já chegavam prontas (digitadas) para serem arquivadas. Cleusa afirma que a secretária deixou de digitalizar as atas a mando de Wilson.
A investigação está com o delegado Osmar Scucuglia Filho.
CRISE INTERNA – De acordo com relatos de membros do clube, a crise teve início quando o presidente, em sua gestão, tomou medidas para cortar certas regalias concedidas a alguns membros da diretoria. Essas ações teriam gerado insatisfação, culminando na denúncia que resultou na abertura do inquérito policial e na tentativa de afastar o presidente. No entendimento da maioria, Wilson é a vítima de uma perseguição movida por interesses pessoais.
Enquanto a Polícia Civil continua as investigações para esclarecer os fatos e dar um desfecho ao inquérito, a decisão da assembleia de sócios reafirma o apoio da maioria à atual gestão, que agora terá o desafio de superar a crise interna e unificar o clube.
A reportagem não conseguiu contato com a presidente do Conselho, mas se coloca a disposição para demais esclarecimentos.

















