Nesta terça-feira (11), um ciclo de mais de três décadas se encerrou na APAE de Avaré. A professora Emiliana Guidotti despediu-se oficialmente da instituição após 35 anos de dedicação, deixando um legado que transitou entre a área da saúde, a educação física e o esporte adaptado.
Em entrevista ao A Voz do Vale, Emiliana fez questão de dividir os méritos com nomes fundamentais de sua trajetória e com a imprensa local, que, segundo ela, foi essencial para construir sua identidade pública: “Se existiu a Emiliana da APAE, existiu vocês da imprensa escrita e falada, porque senão não era, era só Emiliana Guidotti. Então as pessoas me conhecem por Emiliana da APAE. E se isso existe, é por causa de vocês.”
A história de Emiliana na APAE começou no setor de fisioterapia, focado na reabilitação dos assistidos. Foi ali que teve o primeiro grande impulso em sua carreira, vindo de uma das diretoras que mais a marcaram: a saudosa Neide Pegoli. “Foi uma diretora exemplar lá dentro, muitos.
anos, que teve a oportunidade de trabalhar com vários presidentes”, recordou.
Foi Neide quem enxergou em Emiliana o potencial para ir além da reabilitação, propondo que ela também assumisse as aulas de Educação Física. A partir de então, a rotina passou a ser dupla: em um período atuava como professora de Educação Física e, no outro, continuava na área da saúde.
A entrada do então presidente Denilson Ziroldo, descrito por Emiliana como um amigo pessoal, representou uma virada de chave para o departamento esportivo da APAE. “Ele não soltou da minha mão em nenhum momento nos meus momentos de tristeza. Quando a gente está ali naquela dor, se você tem uma pessoa que não solta da sua mão, a gente é eternamente grato a isso”, desabafou.
Ao lado do professor José Aldemir, Ziroldo viabilizou a participação da APAE de Avaré no circuito de atletismo adaptado. A aposta no esporte rendeu frutos expressivos: a instituição recebeu a maior etapa do circuito e conquistou o título de tricampeã. “Nós conseguimos ser tricampeões do circuito de atletismo adaptado na gestão do Ziroldo. Ele investiu muito no esporte, ajudou muito”, celebrou.
NOVOS DESAFIOS – Com a sucessão de presidentes e a mudança no perfil do público assistido, majoritariamente composto por autistas na atualidade, Emiliana precisou se reinventar. “Tive que me adaptar, fazer vários cursos e ir trabalhando com os autistas, que a APAE tem esse suporte”, explicou, destacando a constante necessidade de capacitação diante das novas demandas.
Apesar de ter recebido uma proposta da diretoria para continuar atuando exclusivamente na captação de recursos, atividade que já exercia paralelamente, Emiliana optou por encerrar o ciclo neste momento. “Agora vou descansar um pouquinho, vou sair de férias e pensar, porque são fases. Existem propostas e a gente tem que se analisar”, ponderou.
Ao final, a professora reafirmou seu carinho pela instituição e pelos colegas de jornada, fazendo questão de estender o agradecimento àqueles que sempre divulgaram o trabalho da APAE. “Eu divido isso a vocês. Um forte abraço”, concluiu.




















