Um salva-vidas para a Petrobras

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Artigo – Arnaldo Jardim é deputado federal licenciado (PPS-SP) e secretario de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

As ações da Petrobras chegaram a valer nesta semana menos que R$ 5. O valor da Petrobras diminui 85% de 10 anos para hoje. Como chegamos a esse ponto? Uma perda triste de nada menos do que R$ 436,6 bilhões em seu valor de mercado, que passou de R$ 510,3 bilhões para R$ 73,7 bilhões. Situação lamentável em um cenário mundial em que o preço do petróleo está muito abaixo da média histórica.
É o menor valor pago pelo barril desde 2003: US$ 30 e podendo chegar a US$ 20 ainda neste ano, de acordo com analistas de instituições financeiras mundiais. Essa perspectiva tenebrosa fez com que a empresa cortasse 24,5% do volume de recursos para seu plano de investimento, passando de US$ 220,6 bilhões para US$ 130,3 bilhões.
É o reflexo de uma maneira de enxergar a Petrobras como um caixa-forte, uma financiadora, contra sua vontade, de esquemas amorais investigados atualmente em iniciativas como a operação Lava Jato. A Petrobras nas mãos deste governo federal deixou de ser uma empresa para se tornar um banco com donos muito bem definidos.
Ela também tem sido nos últimos anos o bote salva-vidas do governo federal para com artificialismo conter escalada inflacionaria, instituindo uma manipulação do preço dos combustíveis. Infelizmente um dos símbolos do Brasil, assim como a nossa população, não está suportando tanto peso. É acelerada sua infortunada descida rumo ao fundo do mar.
Ela é uma empresa suscetível ao mercado internacional, deveria seguir regras internacionais de “compliance” e gestão e isto é condição indispensável para se financiar e ser competitiva, investir em inovação e garantir seu espaço na compra e venda do petróleo no mundo.
O negócio da Petrobras, em suma, é extrair, processar e comercializar petróleo. Mas, na contramão dessa necessidade de competitividade, o governo federal usa a lógica de que a estatal é instrumento nas estratégias governamentais circunstanciais como manter a inflação sob controle.
Isto foi fator determinante para o sucateamento do nosso programa sucroalcooleiro, o etanol com seu preço atrelado ao valor artificial da gasolina. Reduzindo a capacidade competitiva de uma energia limpa e renovável, para a qual o mundo tem olhado cada vez mais.
Quando se descobriu o Pré-Sal foram necessárias mudanças legislativas. E o governo federal mandou quatro projetos de lei para a Câmara. Uma dessas propostas fez a capitalização da Petrobras em R$ 100 bilhões. Foi a maior capitalização da história.
Passou o tempo e hoje em dia a Petrobras está muito endividada, os investimentos caíram, a imagem ficou arranhada. Mas eu acredito na Petrobras, eu apostei na Petrobras. Nós apoiamos a capitalização. Eu fui na Câmara Federal o presidente da comissão de capitalização para a Petrobras.
Infelizmente os que tanto “denunciavam” uma suposta privatização, estão fazendo pior, estão liquidando este estratégico patrimônio nacional. Mais terrível do que uma eventual privatização, o que estão fazendo é liquidar com o valor da empresa. Em vez de venderem e receberem, estão sacrificando-a e não estamos recebendo nada.
É criminoso, pois a companhia tem um enorme potencial, precisa ser pensada mais amplamente, como uma empresa de energia, não apenas do petróleo, mas, como as concorrentes estão fazendo, investir também em fontes renováveis.
Poderia liderar a exportação do nosso etanol para o mundo. O planeta está cada dia mais em busca de energias amigas do meio ambiente. E o etanol é nossa energia verde.
É necessário instituir rigorosamente a meritocracia, ou seja, as pessoas que assumam cargos por merecimento e capacidade, não por conveniências políticas.
Multiplicar suas parcerias de forma transparente, com o setor privado. A Petrobras precisa ser recuperada. Ela é estratégica para o desenvolvimento do País, sua principal empresa e grande vetor de inovação tecnológica e de investimentos. É preciso uma ação de cidadania, de mobilização da sociedade para resgatar um dos nossos mais caros símbolos nacionais.

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