Avareense Serginho é vítima de racismo na Bolívia, abandona gramado e ganha apoio de Evo Morales

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“Ele ficou muito mal. Os filhos e a esposa estavam em casa com minha esposa vendo o jogo e choraram muito”, diz zagueiro Alex Silva, ex-Flamengo e São Paulo e companheiro de Serginho

Por Lucas Loos — Rio de Janeiro

O atacante brasileiro Serginho, do Jorge Wilstermann, abandonou o campo antes do apito final após ser alvo dos insultos racistas proferidos por parte da torcida do Blooming, equipe da casa, no último domingo. Após o protesto, o presidente da Bolívia, Evo Morales, manifestou sua solidariedade ao jogador de 34 anos, que fez carreira pelo interior de São Paulo.
– Nossa solidariedade com Serginho, jogador do Jorge Wilstermann que ontem deixou o gramado, em forma de protesto, após ser vítima de insultos racistas vindo de maus torcedores. O futebol é um esporte que une os povos, não devemos permitir que seja manchado com esses atos discriminatórios – escreveu Morales em sua conta no Twitter.
Sérgio Henrique Francisco, de 34 anos, que joga desde 2017 no Jorge Wilstermann, deixou o gramado do estádio Ramón Aguilera aos 40 minutos do segundo tempo. Ele estava para cobrar escanteio e, ao ouvir os insultos das arquibancadas, cruzou o gramado inteiro e deixou o campo de jogo (assista no vídeo abaixo, postado pelo seu técnico Miguel Angel Portugal).
Antes de deixar o campo, o brasileiro já tinha reclamado com a arbitragem e, por isso, o uruguaio Latorre, do Blooming, pediu a sua torcida para parar. Na sequência, Serginho arranca do meio de campo e quase faz um golaço (assista também no vídeo abaixo). Ao se direcionar para cobrar o escanteio, ele voltou a ser alvo de racismo e deixou o gramado.
– Ele não voltou mais para o gramado. Ficou muito mal. Os filhos e a esposa estavam em casa com minha esposa vendo o jogo e choraram muito. E aqui na Bolívia já não é a primeira vez – disse o zagueiro Alex Silva, companheiro de Serginho no Jorge Wilstermann.

O ex-zagueiro de Flamengo e São Paulo estava no estádio e também foi alvo dos insultos da torcida adversária. Poupado, ele estava no banco de reservas e acabou expulso por conta de uma confusão entre os suplentes das duas equipes. Ao sair do campo, ouviu os gritos racistas.
– Deu uma confusão entre os bancos de reserva das duas equipes e fui expulso. Ao sair do estádio, todo mundo começou a gritar “huuu”, “huuu”, “huuu”, imitando macaco. E aí depois toda vez que Serginho pegava na bola faziam o mesmo completou Alex Silva.
O atacante brasileiro sofreu outros atos de racismo em diferentes estádios bolivianos, mas essa foi a primeira vez que abandonou o campo. No ano passado, também em um estádio de Santa Cruz, Serginho se negou a voltar após o intervalo devido a insultos racistas vindos da arquibancada. A Bolívia, que tem uma população em sua maioria indígena, aprovou em 2010 uma Lei contra o Racismo e toda forma de discriminação.
Com a derrota por 2 a 0 para o Blooming fora de casa, o time de Serginho e Alex Silva estacionou na quinta colocação, com 17 pontos – o Nacional Potosí lidera com 28. O Jorge Wilstermann é do mesmo grupo de Boca JUniors Athletico-PR e Tolima no Grupo G da Libertadores.

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